Título da Exposição: Maria Bonomi - 90 Anos

Foto da artista jovem

Imagem: Acervo Maria Bonomi

No dia 8 de julho de 2025, a artista Maria Bonomi completou 90 anos de vida.

O Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo celebra essa artista ímpar, atuante desde os anos 1950 no cenário artístico brasileiro e internacional.

Gravadora, pintora, escultora, muralista, professora e cenógrafa, Maria Bonomi mantém uma relação de proximidade com o Acervo, iniciada na gestão de sua primeira curadora, Radha Abramo (1985–1998).

Com esta exposição virtual, a equipe do Acervo presta homenagem ao legado dessa artista que, radicada no Brasil, tanto colaborou para a construção de nossa visualidade e para o fortalecimento do Acervo dos Palácios do Governo.

"O que eu fiz em cenografia me deu subsídios para devassar e elaborar espaços interiores e exteriores com naturalidade. Achei no início que sem a quarta parede tudo se torna público e atinge uma quantidade infinita de retransmissores, passivos ou ativos. Esta nova modalidade de expressão também resultou para mim na possibilidade, enquanto gravadora, de obter suportes de dimensões maiores.

São numerosos os convívios permitidos pela multiplicação e distribuição dos originais da gravura. São infinitos os convívios quando extrapolo a escala convencional da gravura. O tratamento de superfícies destinadas ao grande público, transeuntes da cidade, se altera do ponto de vista da área e dos materiais, porém meu pensamento visual é basicamente o mesmo".

Maria Bonomi

Foto de detalhe da obra 'O Descobrimento (Navegar é preciso...)' e da artista Maria Bonomi.

(...) O atual projeto artístico de Bonomi resulta de um trabalho coletivo pois ele envolve a tecnologia e a mão-de-obra dos operários especializados em concreto armado. Trata-se de uma obra, a meu ver, excepcional, pois o rigor técnico da gravura, da arte de criar sulcos, linhas e texturas sobre uma matéria original requer, como nesta monumental criação, que a cópia transcenda a especificidade da gravura para alcançar a dimensão escultórica do relevo.

A artista com a goiva e o buril cria composições sobre imensas áreas de madeira que posteriormente são cobertas de cimento armado. O fundamento deste trabalho é essencialmente o da gravura, se bem que ele seja secundado pela operação especializada da escultura. O cimento armado aplicado sobre a matriz gravada pelos instrumentos da xilo, uma vez retirado, torna-se cópia única - contradiz a ideologia da reprodução serial da gravura - ou seja, adquire um estatuto diverso, o de um mural, no qual os altos e baixos relevos controem uma riquíssima paisagem.

Radha Abramo
Curadora do Acervo dos Palácios (1985-1998)
Folha de São Paulo, 1979