PALÁCIO BOA VISTA

No alto da Serra da Mantiqueira, em Campos do Jordão, está situado o Palácio Boa Vista. Quando foi lançada a pedra fundamental, em 1938, a cidade se mostrava sedutora pelo clima ameno e pela paisagem de bosques e mata nativa, motivando o então interventor do Estado, Adhemar de Barros, a construir uma residência para os governadores de São Paulo na região.

O projeto arquitetônico do polonês Georg Przyrembel apresentava características estilísticas neocoloniais, que foram modificadas no decurso da obra – desenvolvida em etapas que duraram anos –, assumindo um caráter de estilo eclético na fachada atual. A construção foi concluída em 1964, quando foi inaugurada sob a denominação Palácio Boa Vista, com sua atmosfera bucólica e arquitetura inspirada nos castelos europeus.

Em 1969, com a intenção de criar um museu de mobiliário histórico e artístico brasileiro, Luís Arrobas Martins, secretário da Fazenda no governo de Abreu Sodré, coordenou a criação do Grupo Executivo de Aproveitamento do Palácio de Campos do Jordão – Geapac, constituído por especialistas que auxiliaram na escolha de móveis, pinturas, esculturas, tapetes e objetos de arte. Com a aquisição das coleções, além de residência oficial de inverno do governador, o edifício assumiu também sua vocação de palácio-museu aberto à visitação pública.

Em 1970, o prédio foi palco do primeiro Concerto de Inverno da cidade, o atual Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, que todos os anos atrai milhares de turistas e moradores do entorno. Ao longo de seus 50 anos, o palácio é um ícone na vida cultural jordanense e paulista.

O Palácio Boa Vista reveste-se de uma atmosfera singular criada pelos objetos e personagens que por ali passaram. Mesmo permanecendo com as funções originais do cotidiano doméstico, as peças expostas ao público constroem poeticamente sua história, nos ambientes de uma casa-museu. Percorrendo os espaços, é possível imaginar as leituras na Biblioteca, as conversas próximas à lareira na Sala de Estar, os jantares na Sala de Banquetes, o som do piano no Salão Nobre, evocando os contextos pessoal, social e político das personalidades que se hospedaram na casa e que ainda a habitam. As coleções exprimem o espírito dessa vivência.