PALÁCIOS-MUSEUS

Os palácios localizados no território brasileiro que abrigaram ou ainda abrigam sedes do governo executivo e residências de seus governantes (imperadores, presidentes e governadores) possuem algumas características comuns. Diferindo dos palácios reais europeus, essas edificações têm uma história muito mais recente, iniciada no século XIX, e refletem a história política brasileira do império ao período republicano.

Em sua maioria, essas construções datam do século XIX e primeiras décadas do século XX – em estilo eclético, algumas de influências neoclássicas e outras modernistas, construídas nas décadas de 1950/60. Muitas delas foram antigas moradias particulares, tendo sido compradas posteriormente pelo governo para abrigar sedes administrativas e residências oficiais dos governantes.

Seus acervos, compostos de mobiliário, objetos raros, obras de arte e documentos, refletem o modo de vida e o gosto das ambientações palacianas, em especial prataria, louçaria, cristais e pinturas de influências estéticas francesa e inglesa. Destacam-se também as coleções de mobiliário português do período colonial brasileiro, ao lado de pinturas, gravuras e esculturas do Modernismo brasileiro.

Esses locais testemunharam importantes fatos históricos e decisões políticas, o cotidiano da vida privada de seus moradores, hospedaram ilustres personalidades. Ao longo do tempo, seus ambientes passaram por diversas alterações arquitetônicas, de decoração e de uso. Em muitos palácios governamentais, salões de banquetes que antigamente foram palcos de animadas recepções estão abertos à visitação, com atividades socioeducativas, exposições e apresentações musicais. São espaços que, ao abrigarem a dinâmica do poder, trazem a reflexão e o debate sobre mitos, histórias reais e transformações políticas. São, também, fontes documentais importantes da memória do modo de vida da sociedade durante os períodos correspondentes.

Atualmente, sendo a participação popular em todos os assuntos de interesse da sociedade fato e direito em quase todos os países, a leitura e interpretação mais comum das "casas de poder" – termo criado pelo sistema de classificação de museus do Comitê Internacional para os Museus-Casas Históricas do Conselho Internacional de Museus – DEMHIST-ICOM – acaba por ser não só a de espaços líricos de devaneio, mas também a de símbolos da opulência do cotidiano de vida da elite política. Esse é o caso de alguns palácios sedes de governos republicanos e suas histórias de ditadura, que, transformados em museus, não trazem a magia e o encanto da vida palaciana das casas reais com seus contos de príncipes e princesas, já presentes no imaginário coletivo.

Suas inúmeras ressignificações têm configurado os palácios-museus voltados para o público e para as demandas da vida contemporânea. Alguns se tornaram exclusivamente espaços culturais e cívicos. Outros compartilham o uso residencial e administrativo com ambientes abertos à visitação pública, como os Palácios do Governo do Estado de São Paulo – o Palácio dos Bandeirantes e o Palácio Boa Vista.