Palácio dos Bandeirantes

Arquitetura

A primeira concepção arquitetônica do Palácio dos Bandeirantes ocorreu em 1938, de autoria do arquiteto italiano Marcello Piacentini, a pedido do Conde Francisco Matarazzo Sobrinho, que planejava instalar, em terreno da propriedade da família, a Universidade Comercial Conde Francisco Matarazzo. O projeto apresentava linhas abstratas, colunas, muros lisos e ampla fachada.

Na década de 1950, o engenheiro Francisco da Nova Monteiro assumiu a direção do projeto, alterando sua concepção para um estilo italiano, eclético, mas voltado para o neoclassicismo. O lançamento da pedra fundamental para a construção do edifício principal da Universidade deu-se em 1954. A construção arrastou-se pelos anos seguintes, mas a universidade nunca foi instalada, devido a dificuldades financeiras por que passava o Grupo Matarazzo.

Durante o governo Adhemar de Barros (1963-1966) foram iniciadas negociações com o Governo do Estado de São Paulo para a desapropriação do imóvel, como pagamento de dívidas fiscais do Grupo, legalizadas por meio de Decreto Estadual, em abril de 1964.

Uso do Edifício

O processo de mudança para a nova sede incluiu tríplice destinação ao palácio: sede do Poder Executivo Estadual, com suas atribuições decisórias e de representação, sede administrativa e residência do governador. Atualmente, o Palácio dos Bandeirantes exerce tanto a dupla função de residência e sede do Poder administrativo estadual como a de Palácio – Museu, aberto ao público.

Formação do Acervo de Obras de Arte

Em 30 de março de 1970, sob o governo de Abreu Sodré, o palácio torna-se a sede definitiva do governo paulista, com o nome de Palácio dos Bandeirantes. A partir de então, houve um esforço no sentido de fazer do palácio do governo um centro de cultura, com a constituição de acervo de móveis, quadros e objetos. Vale registrar que o governador Laudo Natel, em sua segunda administração (1971-1975), foi efetivamente o primeiro governador a despachar diariamente no Palácio dos Bandeirantes.

Atendendo orientação do então governador Roberto Costa de Abreu Sodré, seu secretário da Fazenda, Luiz Arrobas Martins, criou uma comissão da qual participavam Oswald de Andrade, Paulo Mendes de Almeida, Sílvia Sodré Assunção, Marcelo Ciampolini e Pedro Antonio de Oliveira Neto. Esse grupo deu início à aquisição de obras de arte que hoje compõem o Acervo Artístico-Cultural dos Palácios Governamentais.

Entre as obras, podemos destacar no Hall Nobre do Palácio dos Bandeirantes os painéis de Antonio Henrique do Amaral, Clóvis Graciano, Candido Portinari, Djanira Motta e Silva, Tomie Ohtake, Alfredo Volpi e Aldemir Martins. No Salão dos Despachos, encontramos as obras de Theodoro José da Silva Braga, Oscar Pereira da Silva, Benedito Calixto e Pedro Américo, retratando fatos e cenários de nossa terra.

Nos demais ambientes do palácio, encontram-se obras que retratam um Brasil repleto de diferenças, como, por exemplo, a série do artista Rubem Valentim, que, com cores e símbolos, registra a etnia negra, e José Cláudio da Silva, que retrata uma viagem à Amazônia – pedaços de um Brasil que poucos conhecem.

 

Os jardins:

Em 125 mil metros quadrados, convivem mais de duas mil árvores, entre elas: pau-brasil, a árvore símbolo do Brasil, o ipê amarelo, a flor símbolo do Brasil, ipê rosa, palmeira jerivá, castanheira, cedro-do-líbano, tipuana, jequitibá rosa, cedrinho, quaresmeira, jatobá, jacarandá mimoso, paineira, pata-de-vaca, pau-ferro, araucária, cerejeiras e outras.

Nesta área ajardinada, que corresponde a 70% do terreno, além da diversidade de plantas, já foram identificadas aproximadamente 40 espécies de aves que fazem dos jardins seu habitat. Entre elas, pica-paus amarelo e negro, quero-quero, joão-de-barro, tico-tico, alma-de-gato e o sabiá-laranjeira, a ave símbolo do Brasil.