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Anjos e Santos – Arte Sacra nas Coleções dos Palácios

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Anjos e Santos – Arte Sacra nas Coleções dos Palácios
Palácio do Horto, de 28 de março a 02 de agosto de 2009

Aproximadamente 400 obras compõem a coleção de arte sacra dos Palácios do Governo, adquiridas, em sua maioria, na década de 1960, quando era comum a compra de objetos sacros para decorar e representar a religiosidade nos espaços domésticos. Imagens e peças de mobiliário de origem brasileira e européia, provenientes de antigas igrejas e capelas de fazendas, são referências ao passado glorioso dos ateliês barrocos.

A exposição “Anjos e Santos – Arte Sacra nas Coleções dos Palácios” reúne 75 obras do Palácio dos Bandeirantes e do Palácio Boa Vista. Dentre elas, 37 obras provenientes do Palácio dos Campos Elíseos estão sob a guarda da Curadoria do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios, desde o ano de 2006. Esses valiosos objetos patrimoniais requerem compromisso e responsabilidade em sua conservação para que sejam transmitidos às gerações futuras.

Preservar é, antes de tudo, catalogar e pesquisar. Para cumprir essa missão, convidamos um especialista em arte sacra, o pesquisador e professor Percival Tirapeli, com quem está sendo desenvolvida uma importante etapa de investigação. Pode-se, assim, estabelecer um jogo de relações entre os valores históricos, estéticos e simbólicos, e celebrar a oportunidade de olhar e desvendar os códigos presentes em cada imagem.

Ana Cristina Carvalho
Curadora do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo



“Anjos e Santos – Arte Sacra nas Coleções dos Palácios” expõe as preciosas obras da coleção de arte sacra pertencente ao Acervo dos Palácios. São três ambientes, no Palácio do Horto, abrigando sete núcleos: no térreo, um introdutório com obras do “Mobiliário: Renascimento e Barroco”; na sala expositiva, os núcleos sobre a “Semana Santa”, as “Invocações de Maria” e “Santos”. No piso superior, são apresentados os núcleos “Natividade”, “Anjos” e “Devocional”.

1. Mobiliário: Renascimento e Barroco
A coleção de arte sacra do Acervo dos Palácios possui raras e preciosas peças dos períodos estilísticos do Renascimento e do Barroco na Europa. Nesta exposição, estão a arca (ou cassone) do mobiliário renascentista italiano, os putti pintados no tondo (tela em forma circular) e, ainda, peça ímpar deste acervo, a estante com a pintura de um gomil (tipo de jarro), de sacristia do colonial mineiro.

2. Semana Santa
A iconografia da Semana Santa é rica, sendo a mais conhecida a Via Sacra, ou as 14 cenas de sofrimento e agonia de Cristo, que culminam com a crucificação. Maria, mãe de Jesus, é representada como das Dores ou Dolorosa, enquanto seu Filho ainda vive, e da Piedade ou Pietà, quando O recebe em seus braços.

3. Invocações de Maria
A iconografia da Virgem Imaculada tem anjos e parte da lua aos seus pés, que esmagam a cabeça da serpente, e é coroada com doze estrelas. Na coleção, há duas imagens em barro, de Frei Agostinho de Jesus: N. Sra. da Conceição e N.Sra. do Rosário, ambas com rostos de meninas, abrasileirados. Somente a invocação da Virgem do Rosário era permitida aos negros. Outros destaques são os nichos com as invocações de Imaculada Conceição e São José, de autoria do artista português Machado de Castro.

4. Santos – a difusão do cristianismo
São Paulo e o apóstolo Pedro são símbolos da difusão do cristianismo. Pedro leva consigo as chaves do paraíso e é o primeiro papa da Igreja. Paulo de Tarso é o símbolo do apóstolo convertido, tem na mão uma espada, símbolo de seu martírio, e um livro com suas epístolas, ou cartas.
São João é um dos santos mais conhecidos e comemorados pelos brasileiros. Desde seu nascimento e infância, convive e se parece com o Menino Jesus; na juventude, aparece batizando seu primo, Cristo, no rio Jordão, tendo ao lado um cordeiro e uma cruz na qual se lê “O Cordeiro de Deus”.
Suas vestes de pele de cordeiro são símbolos do profeta que prega no deserto. A imagem de São Francisco das Chagas é de origem espanhola. O santo está recebendo as chagas de Cristo, visíveis no peito, pés e mãos. Os bustos dos santos bispos também são europeus, com características formais de barbas encaracoladas e panejamento amassado, imitando prata marchetada.

5. Natividade: Maria e o Menino
A iconografia da Natividade é variada, sendo obrigatória a presença da mãe Maria com o Menino Jesus e dos anjos que anunciaram Sua vinda. A apresentação do Menino ao mundo é feita por Maria e, desde os primórdios cristãos, essa representação se conhece como Madona com Menino ou Maestà. Está sentada no trono, coroada, e o Menino, em pé, com o gesto de bênção. A imagem é de origem européia, do período tardo medieval, como denotam o leve movimento do corpo, o panejamento e o tipo de sapato.

6. Anjos: tocheiros e putti
Os anjos são mensageiros de Deus nos atos terrenos e têm presença nos céus entre os santos. Quando adoradores, estão genuflexos e guardiões, levam uma das mãos ao peito e com a outra seguram a tocha da fé, iluminando o caminho da eternidade. Os putti, ou anjinhos, de origem italiana rimam nos gestos com aqueles pintados no tondo (tela em forma circular) Sacre Triadi Gloria. No fragmento de sacrário, os putti alados, em pares, ampliam os espaços da porta do sacrário erguendo o dossel e, na parte superior, conferem à peça caráter escultórico.

7. Oratórios: devoção doméstica
O oratório com duas cenas – Batismo de Cristo e Visita de Maria à sua prima Isabel –, ladeadas por dois santos franciscanos, é bem inventivo. A temática é culta, mas a solução pictórica é popular, incluindo as rosas no frontal do nicho, que remetem à presença de Maria.
O Oratório do Menino Jesus de Praga preserva a proporção entre a escultura e a peanha, peça que a sustenta. A coloração do marmorizado em azul e o vermelho envelhecido conferem dignidade à peça.

Percival Tirapeli
Curador da exposição

Governo do Estado de SP