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Modernismo – Lutas e Sonhos 1930-1945

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Modernismo – Lutas e Sonhos 1930-1945
Palácio dos Bandeirantes, de 15 de agosto a 04 de novembro de 2007

A Revolução de 1930 impulsionou visão crítica na maneira de pensar e pontuou o contexto cultural e estético dos anos seguintes. O ano de 1933 foi decisivo nesse sentido. Foi o ano de publicações que marcaram as gerações intelectuais posteriores: "Casa Grande e Senzala", de Gilberto Freyre, e "Evolução Política do Brasil", de Caio Prado Júnior. Essas obras – juntamente com "Raízes do Brasil" (1936), de Sérgio Buarque de Holanda – motivaram um momento de redescoberta do Brasil. Impulsionaram debates à luz de premissas diametralmente opostas. Intelectuais e artistas polarizaram idéias políticas: mais à esquerda ou à direita.

Com o tempo, temáticas nacionalistas, que procuraram recuperar raízes históricas, como o negro, o índio, o caipira, a paisagem, canaviais nordestinos ou cafezais do sul, foram ganhando espaço. Nos anos de 1930, os temas delineados na década anterior foram se consubstanciando numa busca de solução para o impasse do Modernismo. O fascínio pelas lendas indígenas e o nacionalismo – que permearam as criações modernistas desde o poema Pau-Brasil, de Oswald de Andrade – resultaram em obras como "Macunaíma" (1928), de Mário de Andrade, "Martim Cererê" (1928), de Cassiano Ricardo, "Cobra Norato" (1931), de Raul Bopp, e na música de Vila Lobos. Os artistas preocuparam-se em desvendar o Brasil, voltando-se para o regionalismo e para a crítica social. Naquele momento, Tarsila do Amaral, por exemplo, expressou questões sociais em obras como "Operários" e "2ª Classe" (1933), substituindo os rosas e azuis festivos por tons sombrios.

Nesse período, São Paulo viveu grandes mudanças socioeconômicas, significativo progresso no setor das comunicações e impasses políticos. Em 1932, ano da Revolução Constitucionalista, São Paulo comemorou o aniversário da cidade com um comício de cerca de cem mil pessoas. Na ocasião, pedia-se a devolução da autonomia do Estado. Vale lembrar que a cidade cresceu e modernizou-se com a expansão cafeeira e, depois, com a industrialização e o desenvolvimento do setor bancário e financeiro. Trens, bondes, luz elétrica, automóvel, calçamento, praças, viadutos, parques e os primeiros arranha-céus, transformaram a fisionomia da capital paulista. Esse contexto apresentou-se favorável à organização de agremiações e grupos artísticos.

A década de 1930 presenciou, em São Paulo, o surgimento de diversas tendências artísticas e movimentos vinculados direta ou indiretamente ao Modernismo de 1922. Tal como no Rio de Janeiro – onde, em 1931, nasceu o Núcleo Bernadelli –, os artistas de São Paulo também se uniram em grupos, dentro dos quais puderam mais facilmente resistir a um meio ainda intolerante em relação a tudo o que não se pautasse pelas normas do Academicismo combatido, mas ainda influente. Tais grupos, não raro antagônicos, paradoxalmente, não exigiam exclusividade de seus adeptos – o que explica a facilidade com que muitos transitavam, sem nenhum constrangimento, de uma agremiação para outra.

As ações desses grupos correspondiam à situação sociocultural de uma metrópole em rápida expansão, com a contribuição dos imigrantes e de seus filhos, com forte presença italiana. Os que aqui chegavam traziam sonhos, esperanças, tradições e religiosidade. Descobriram um território com grande potencial e beleza. O trabalho do imigrante contribuiu no aprimoramento de relações de trabalho e de produção dentro da vida brasileira, com "implicações referentes à história da pintura, arquitetura, etc.". Além da origem humilde, de modo geral, possuíam certas especificidades na formação: alguns chegaram a estudar no exterior, outros realizaram aprendizados na Escola Paulista de Belas Artes ou no Liceu de Artes e Ofícios. Havia ainda os autodidatas. Entretanto, o que predominou em muitos desses artistas foi, indiscutivelmente, o esforço pessoal de aprimoramento, somado aos ganhos da atividade conjunta.

Elza Ajzemberg
Curadora da exposição

Governo do Estado de SP