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Tarsila em Família

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Tarsila em Família
Palácio Boa Vista, de 28 de agosto de 2009 a 21 de fevereiro de 2010

O Governo do Estado de São Paulo sempre se orgulhou de sua coleção de obras de arte do Modernismo brasileiro, na qual se inserem as 13 obras de Tarsila do Amaral, adquiridas da artista na década de 1970. Essas obras, há quase 40 anos na coleção palaciana, reúnem-se, pela primeira vez, a outras pertencentes à família da artista, possibilitando, assim, a leitura das relações, transformações e experimentações com a vida e sua família em um contexto afetivo. As cartas, por exemplo, denotam e ajudam o público a ver aquilo que as obras e as cores já expressam: uma mulher sensível, afetuosa e bem à frente de seu tempo.

Os registros fotográficos comprovam que, desde 1970, quando as 13 obras da artista chegaram ao Palácio Boa Vista, para compor a coleção de arte moderna dos Palácios do Governo, foram colocadas no gabinete e nos aposentos do governador. Mas, ao longo do tempo, elas foram se deslocando entre os ambientes, cedidas para empréstimos temporários para outras instituições, e passaram a participar freqüentemente das exposições nos palácios dos Bandeirantes e do Horto, em São Paulo. A grande atração que exercem as pinturas, desenhos e gravuras de Tarsila do Amaral ao público visitante dos palácios justifica essa mudança de ambiente, trazendo a oportunidade para um maior número de pessoas apreciarem as obras que marcaram o processo de construção do Modernismo brasileiro.

Reunir, assim, essa coleção na sala especial “Tarsila em Família”, no Palácio Boa Vista, ao lado de obras e documentos pessoais que pertencem à família da artista, permite-nos refletir sobre as influências do contexto social e familiar na sua produção artística.

Importante notar que a coleção do Palácio Boa Vista espelha o percurso estético de Tarsila desde o início, com o olhar mais acadêmico, visto nos estudos de nu realizados na Academia Julien, em 1921, durante seus estudos em Paris, às experiências mais geométricas (não usuais na produção da artista) com as obras “Calmaria II” e “Estratosfera”, e às obras nas quais expressa a religiosidade e o contexto das cores caipiras: “Religião Brasileira”, “Sta. Irapitinga do Segredo” e “São Paulo Antigo”.

Ainda no início de sua trajetória, a artista externa uma estética geometrizada art dèco em seu “Auto-Retrato” e, utilizando cores expressionistas, no “Retrato de Mário de Andrade”. Na fase dos anos 1930, o grande ícone de Tarsila, “Operários”, trata da temática social, influenciada pela sua passagem na União Soviética e sua relação com o crítico de arte e psiquiatra Osório César, para quem a produção artística deveria ser um reflexo da visão do artista sobre a sociedade em que ele vive.

Tarsila, nas cartas, denota sua afetividade referindo-se com muito carinho a seus pais e amigos. Nesta exposição, temos desenhos que fez de alguns amigos e pessoas queridas como Luiz Martins e Lasar Segall, além dos contextos recorrentes da fazenda e do ambiente interiorano, que sempre a encantaram. As cores do casario e da paisagem, os meninos da fazenda, as negras, as várias expressões de afeto pelo cotidiano, a alegria dos encontros da família na fazenda, tudo isso em sua obra expressa uma alegria bem brasileira.

Essa frutífera parceria com a família da artista, que possibilitou a presente exposição, nos faz avançar, assim, nos estudos e na compreensão das obras de nosso acervo, objetivo sempre buscado pelo Acervo dos Palácios.

Ana Cristina Carvalho
Curadora do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo

Governo do Estado de SP