O cordeiro imolado
Durante a Idade Média a Igreja Católica usava largamente os símbolos nas pinturas pois facilitavam a compreensão dos fiéis sobre os temas sacros, uma vez que pouquíssimas pessoas sabiam ler ou podiam se aproximar dos textos religiosos. Aqui, uma coleção de pinturas representa anjos carregando os símbolos relacionados à Paixão de Cristo, chamados de Arma Christi.
Seguindo os passos da paixão, aparece em primeiro lugar as trinta moedas, recebidas por Judas Iscariotes por entregar Jesus aos Romanos. Depois a túnica e os dados, quando os soldados sorteiam as vestes de Jesus, ao despi-lo para a crucifixão. O caminho para o Calvário é representado pelo véu que Verônica usa para enxugar o rosto do Cristo, que aparece estampado no tecido. Ao chegar ao monte Gólgota, ele é pregado à cruz, e então são representadas a cruz, o martelo para pregá-lo e os alicates que depois foram usados para retirar os pregos. Do suplício há o Titulus Crucis, a placa que foi colocada em cima da cruz com a inscrição INRI, Jesus Nazareno, Rei dos Judeus, o chicote usado para açoitar Jesus e a esponja, que os soldados mergulharam em vinagre e ofereceram ao salvador quando ele teve sede. Finalmente a escada representa a descida de Jesus da Cruz.
O fragmento de altar do século XVIII, entalhado em madeira, é o sacrário, onde são guardadas as hóstias consagradas, tornadas Corpo de Cristo. Na parte central anjos ladeiam a porta do sacrário, onde a presença de Jesus é representada pelo cordeiro com um crucifixo ao fundo. Jesus é cordeiro de Deus, que vem para ser imolado na cruz e assim livrar a humanidade de seus pecados. É na quinta-feira santa, que se inicia o Tríduo Pascal, quando Jesus instituiu a Eucaristia, oferecendo seu corpo e sangue. O Tríduo compreende os três dias da Páscoa: paixão, morte e ressurreição. O mistério da Eucaristia, que precede a paixão, é relembrado todas as vezes que a missa é celebrada, no momento da consagração do pão e do vinho.