Título da Exposição: Arte e Ressurreição - Representações da Páscoa

Eis o Homem

O Menino Jesus da Paixão, da escola de arte cusquenha, mostra o menino que brinca com a coroa de espinhos e fura o seu dedo. Uma cena inexistente nos relatos bíblicos, mas um prenúncio simbólico de que desde o nascimento, o futuro de Jesus como o cordeiro a ser imolado já estava traçado.

Na quinta-feira santa, após a ceia em que Jesus instituiu a Eucaristia, como era de costume, ele subiu para rezar no Horto das Oliveiras, quando sentiu uma angústia profunda pelo sofrimento pelo qual teria que passar e verteu suor de sangue. Entendendo que sua vida na terra estava próxima do fim, orou por três vezes dizendo: Pai, se queres, afasta de mim este cálice", porém completou com "não se faça a minha vontade, mas a tua". Duas pinturas representam esse momento, uma do século XVI, em que toda a cena é mostrada, revelando Jesus ajoelhado tendo uma visão de um anjo que lhe oferece o cálice do sofrimento. Na obra espanhola do século XVII, toda a tensão da cena aparece no rosto de Jesus.

“Ecce Homo” é o momento da Paixão de Cristo em que Pôncio Pilatos apresenta Jesus à multidão despido de suas vestes, com um manto púrpura e já com a Coroa de Espinhos. Vestido dessa maneira, ele estava sofrendo o escárnio das autoridades, que denunciavam o fato de Jesus ser conhecido como rei. Assim, Pôncio Pilatos se dirige à população dizendo “Eis o homem!”, relatando não ver nele crime algum e oferecendo a oportunidade de soltar um condenado pela ocasião da Páscoa. Nesse momento o criminoso Barrabás é libertado e Jesus é condenado. Pilatos lava suas mãos buscando eximir-se da culpa da condenação de um homem que julga inocente. Esta cena está na exposição três vezes: na dramaticidade de claros e escuros de Tintoretto, na cabeça iluminada, cópia de Guido Reni e nas linhas sintéticas da figura que tanto pode ser um Ecce Homo ou uma “Imago Pietatis” ou "Homem das Dores", uma iconografia cristã medieval, que remonta aos séculos X a XII, que representa Cristo morto, erguido da tumba, com feridas visíveis e expressão de sofrimento, focada na devoção e piedade.

O artista Raimundo de Oliveira representa Jesus carregando a cruz em tinta nanquim, com traços expressivos e linhas angulares. Do século XVII, Pietro Cignaroli traz a descida da cruz e do XVI, Marcelo Venusti representa a Virgem das Dores, um tipo de Pietá, em que o drama da mãe que perde o filho é o centro da cena.