Tarsila do Amaral é uma artista amplamente conhecida pelos brasileiros e, cada vez mais, por públicos de outras partes do mundo. O Acervo dos Palácios tem a honra de ser guardião de 16 obras de sua autoria, que abrangem cinco décadas de sua produção artística e contemplam boa parte dos temas e das linguagens plásticas com os quais experimentou — desde os aprendizados acadêmicos, visíveis em “A Samaritana” e nos estudos de nus; ao fauvismo, como nos retratos de “Mário de Andrade” e “Fernanda de Castro”; ao cubismo, em “Religião Brasileira”; ao surrealismo, em “A Calmaria”; até sua produção social, como em “Operários”. Ávida pelo saber, pela troca de experiências intercontinentais e por projetar o Brasil para além de suas fronteiras, Tarsila do Amaral permanece como um objeto de estudo instigante, aberto a novas interpretações e pesquisas.
Justamente por isso, nesta exposição intitulada “Volta ao Clássico”, fazemos referência a uma crônica de mesmo nome, escrita pela artista em 1939. Nela, de modo sucinto, Tarsila aponta para a presença da arte na história e reforça a admiração que artistas de vanguarda dispensavam às produções da Grécia Antiga, voltando-se aos “cânones clássicos”. Essa admiração se manifesta em obras da artista ao longo das décadas de 1930 e 1940, assim como em outros contemporâneos, como Anita Malfatti, Candido Portinari e Paulo Rossi Osir, para citar apenas alguns.
Para esta exposição, além das 16 obras de Tarsila do Amaral, reunimos outras do acervo realizadas por artistas de formação e atuação acadêmica, como Antonio Rocco, Oscar Pereira da Silva, Décio Villares, Eliseu Visconti e Bertha Worms. O intuito é prestar uma homenagem — tal como a própria Tarsila propôs — a artistas que, mesmo inseridos no ensino acadêmico, souberam reelaborar as lições clássicas e antecipar, em suas obras, soluções formais de vocação moderna.
Assim, “Volta ao Clássico” não se configura como um retorno nostálgico, mas como um movimento de reinterpretação, evidenciando como tradição e invenção se entrelaçam, tensionam-se e se renovam continuamente na história da arte.


